De apeadeiro em apeadeiro apareciam rapazinhos descalços e de arco na mão a festejar a camioneta. Alguns penduravam-se na escada da retaguarda que dava para o tejadilho; outros riscavam bonecos no pó que cobria os guarda-lamas; outros, ainda, espreitavam lá para dentro, para os passageiros, e fugiam a rir, envergonhados; e havia sempre um que punha a mão no radiador para o sentir a trepidar de calor e cansaço. Era a velha carripana (…) os rapazito, aqueles diabos, corriam a acompanhá-la, rindo e acenando com os braços como se a camioneta, lá no íntimo, tivesse passado ali só para os desafiar para uma reinação qualquer através dos montes e dos povoados e por esses mundos dos além. Acabavam, bem entendido, por ficar para trás, suspensos numa nuvem de poeira enquanto o calhambeque ia galgando covas e penedos, a assoprar, a assoprar.

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